Angra – Quem ama da Valor

Amamos essa cidade que o mundo conheceu em 1502, e que sempre foi terra de bravos.

Angra do Cunhambebe, da Mambucaba, da Monsuaba, do Bracuhy… Se foi índio ou o navegador que nomeou, não importa. O que importa é que eles ajudaram a fazer desse pedaço de “paraíso na terra” um lugar de valor, feito por gente de valores.

Essa Angra que todos amamos, mas nem sempre juntamos os pontos pra identificar porque ela é tão rica.

Se o Brasil venera a tradição do jongo da serrinha, essa arte negra de resistência nasceu em solo brasileiro do bracuhy, migrou pro Vale do Café, e depois pra Capital.

Se a França tivesse vencido as batalhas de colonização, o Cunhambebe estaria sendo homenageado em praça pública por ser o grande líder da Confederação dos Tamoios, que aglutinava guerreiros por todo o litoral Sudeste.

E o ouro das Minas Geraes que escoaram por Mambucaba em caravelas de súditos do Rei Sol. Essa mesma França que teve vice-cônsul em Mambucaba até o século XIX.

Nessa mesma Mambucaba que serve de ponto de partida para a cultura do Café, que depois desce em milhares de lombos de mulas pela estrada do Facão, e ganham o mundo também por Mambucaba.

Amamos essa cidade, que já foi parada obrigatória do Imperador, na Ilha Grande que o viu partir para o exílio perguntando aos prantos onde tinha errado. Aqui estão as últimas pegadas de D. Pedro II em solo brasileiro.

Essa cidade de índios, negros, portugueses e franceses que viu os libaneses, italianos, japoneses, gregos, chegarem e constituírem famílias, com tantos outros povos, com tantas outras nacionalidades. Essa cidade acolhedora, de gente resiliente, que transforma o sol escaldante em inspiração, a chuva torrente em coragem, o mar bravio em esperança.

Amamos essa cidade que é o coração da indústria naval no hemisfério sul, que criou um projeto nuclear que se reconhece em sua segurança, que no Colégio Naval inicia os comandantes dos mares do Brasil na carreira militar, que é a capital nacional da sardinha, do coquile e do mexilhão, mas adora um jaguareça fritinho, fazendo até bacon de sua pele. Amamos o peixe com banana, a cachaça artesanal, a cerveja artesanal.

Essa é a nossa Angra. Maior concentração de embarcações de lazer do Brasil, e também por isso capital nacional das marinas e do turismo náutico.

Seu nome atravessou os tempos. Seu nome é uma marca consolidada pelo Roberto Marinho, Ivo Pitanguy, Bony, Muçum, Edna Savaget, Zagalo, Carlos Borges, Lobato, Berardino, e tantos outros gigantes que viram o potencial do paraíso e não pouparam esforços em contar para o mundo o quanto você é bela. O verde do seu mar, a ardentia em seu luar, são tantas cachoeiras de tanto que a natureza chora emocionada em se reconhecer a mais bela dentre todas as virtudes turísticas do litoral desse país.

Só preserva quem ama. Só ama quem valoriza a beleza dessa cidade, e reconhece o povo de valores que constrói cada dia a sua maior beleza.